
XXVII. Caixinha encantada
E de repente
a palavra, que surgia insistente ao longo das atribulações do dia. Quando
menina volta e meia era obrigada a recorrer a um silêncio contínuo em busca de
tentar calar as ideias que fervilhavam necessitando de papel e tinta. Demorou
anos para deixar cumprir certa destinação de fazer do verbo uma solução
espontânea para a vida. Essa espera não escolhida foi moldando a amalgama
disforme de substantivos, histórias e fantasias. A certa altura resolveu deixar
fluir a poesia que lhe surgia quase sem controle. Rasgou um pedaço de papel e
sentou decida a arrumar as palavras em métricas e rimas, começou:
'Libertei as
borboletas cores vivas
Das imediações de
minha alma um pouco sonolenta
Só pelo prazer de
estar soltando-as
Para vê-las
voarem bem alto
Longe de meus
olhos
Inteiramente
sozinhas
Para que pudessem
Sonhar...'
Então era só isso que lhe saía?! Uma mistura de sons mal colocados e ideias sem
sentido?! Achou que o melhor mesmo era guardar a sua caixinha secreta de
pensamentos. Lá dentro, escondidos na memória dos fatos os versos eram muito mais
bonitos. Quase encantados.
PS.: Tantos caminhos em uma única e permanente confluência. Imagem da Lygia Clark.
PS.: Tantos caminhos em uma única e permanente confluência. Imagem da Lygia Clark.
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