
XXVI. Quando o novo não basta
Aventureira que só, gostava de desafiar os próprios instintos
e mergulhar em caminhos desconhecidos. Tanto assim que resolveu abandonar
filhos e marido e foi viver numa cabana no alto da floresta. Lá somente os
passarinhos ditavam o ritmo do tempo, nada era mais necessário. Pouca roupa,
pouca comida, pouco barulho, poucas preocupações. Era o paraíso encontrado, o
pote no fim do arco-íris. Até quando pôde, no entanto. Que graça tinha a vida
sem os gritos das crianças?! Que valor tinham as horas senão passadas deitada
ao lado de seu companheiro. Que motivo tinha ver o sol caindo avermelhado ao
fim do horizonte se não havia outros olhos para contemplar o acontecido. O que
seria dessa pobre verdade quando ela era só sua?! Demorou poucos meses para vê-la
descendo sorridente a trilha da montanha. Feliz com seu espírito que era livre
até para voltar às suas antigas convicções.
P.S.: Entre tantos caminhos, mais um conto.
Imagem: Noite nas montanhas, óleo sobre tela. Rodrigo Brasil.
Imagem: Noite nas montanhas, óleo sobre tela. Rodrigo Brasil.
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