terça-feira, 7 de maio de 2013


                                
XXV. Graça concedida.

Maria era daquelas meninas criadas para ser obediente aos preceitos religiosos. Ia à missa todo domingo, confessava, pagava penitência enquanto todas nós ainda nos sujávamos de terra com as brincadeiras na pracinha. Lembro-me que quando crianças, ela nunca podia fazer nada. Minha memória guarda a voz de sua mãe que esbravejava: ‘Maria não pode andar descalço!’, ‘Maria ajeita esse vestido menina’, ‘Maria, não adianta pedir, moça não pode brincar na rua’, ‘Já prometi Maria para o Senhor, assim que completar a maior idade a mando para o convento’.  
Pois não é que um dia desses, de tardinha, enquanto o cheiro de sopa já emanava das casas da vila, flagrei Maria atrás da igreja aos beijos com um rapazinho. Escondi para que ela não me visse e corri pra dentro da paróquia. Fui rezar um pai nosso feliz e agradecida pela graça concedida ao destino de Maria. 

Ps.: Percorrendo esses e outros tantos caminhos.

Um comentário:

Elenildo disse...

Nanda,
Se sonhamos pequeno, nossa visão será pequena, nossas metas serão limitadas, nossos alvos serão diminutos, a estrada da vida será estreita, nossa capacidade de suportar as turbulências da vida será frágil. Nossos sonhos regam a nossa existência com sentido. Sendo assim, não voltar no tempo para consertar nossos erros, não voltar para a inocência que tínhamos - e temos ainda. Teremos saudades da ingenuidade que nunca perdemos ? Tudo o que fomos prossegue em nós. Nossos sonhos trazem-nos saúde para fortalecer nossas emoções, equipa-nos na fragilidade para sermos autores de nossa própria história, fazem dos tímidos terem a coragem de ousar e dos derrotados serem os construtores de suas oportunidades. Nunca deixem de sonhar.