
XXIV. ‘Ladeira da preguiça’.
Foi ficando sem explicações. Cada vez que voltava tarde da
noite tinha que justificar a mulher o que havia feito até àquela hora fora de
casa. Era sempre muito difícil argumentar e fazê-la entender que não estava com
outras mulheres, que não estivera bebendo ou jogando futebol. Inventava
histórias que suprimiam o verdadeiro motivo, dizia a ela que ficara preso no
trabalho, ou que o trânsito estivera impossível, ou que o carro havia quebrado.
Tudo pra não ter que declarar que em realidade estivera o tempo todo no parque
olhando as amendoeiras. Tudo para não ter que mirar os seus olhos e não
encontrar mais o amor. Tudo para não passarem a serem só amigos. Tudo para não
vê-la chorar. Tudo para não perder a poesia daquela longa história juntos. Tudo
pela preguiça de recomeçar, e discutir, e gritar, e mudar, e... Ufa! Chega. Preguiça.
Ps.: No meio de tantas nuances, mais um conto.
Um comentário:
Adorei o texto. Ao ler, lembrei de um outro, com um diferente ponto de vista sobre o marido que chega tarde em casa. Dá uma olhada depois:
http://www.releituras.com/lfverissimo_alianca.asp
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