sábado, 4 de maio de 2013


                                        
XXIV. ‘Ladeira da preguiça’.

Foi ficando sem explicações. Cada vez que voltava tarde da noite tinha que justificar a mulher o que havia feito até àquela hora fora de casa. Era sempre muito difícil argumentar e fazê-la entender que não estava com outras mulheres, que não estivera bebendo ou jogando futebol. Inventava histórias que suprimiam o verdadeiro motivo, dizia a ela que ficara preso no trabalho, ou que o trânsito estivera impossível, ou que o carro havia quebrado. Tudo pra não ter que declarar que em realidade estivera o tempo todo no parque olhando as amendoeiras. Tudo para não ter que mirar os seus olhos e não encontrar mais o amor. Tudo para não passarem a serem só amigos. Tudo para não vê-la chorar. Tudo para não perder a poesia daquela longa história juntos. Tudo pela preguiça de recomeçar, e discutir, e gritar, e mudar, e... Ufa! Chega. Preguiça.

Ps.: No meio de tantas nuances, mais um conto.

Um comentário:

Anônimo disse...

Adorei o texto. Ao ler, lembrei de um outro, com um diferente ponto de vista sobre o marido que chega tarde em casa. Dá uma olhada depois:
http://www.releituras.com/lfverissimo_alianca.asp