
XXIII. Vindouro passado
Roberta ia vez ou outra consultar cartomantes. A cada visita
davam a ela novidades sobre seus amores, previam futuros empregos, distribuíam
possibilidades de muitas energias, fluidos e felicidades. Desse modo
passaram-se os anos, aos vinte ela esperou que o verdadeiro amor chegasse. Como
fosse persistente, idealizou aos trinta que seria promovida ao melhor cargo. Aos
quarenta achou que nunca precisaria se submeter ao botox. Aos cinquenta
insistiu em acreditar que conseguiria reconhecimento pessoal e financeiro. Nada.
Todos os fatos da sua vida negavam as cartas de tarô que teimavam em dizer que
ela nascera com a sorte grande. Foi de tanto esperar que já aos noventa, desiludida
e queixosa de seu vindouro passado encontrou Aroldo. Um velhinho que, assim
como ela, no auge dos seus oitenta e cinco, também não soubera o significado da felicidade. E assim, foram viver os dois por mais alguns anos. Claro, como de costume, infelizes
para sempre....
Ps.: Mais um conto para essa pequena miscelânea.
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