domingo, 28 de abril de 2013


                      

XXIII. Vindouro passado

Roberta ia vez ou outra consultar cartomantes. A cada visita davam a ela novidades sobre seus amores, previam futuros empregos, distribuíam possibilidades de muitas energias, fluidos e felicidades. Desse modo passaram-se os anos, aos vinte ela esperou que o verdadeiro amor chegasse. Como fosse persistente, idealizou aos trinta que seria promovida ao melhor cargo. Aos quarenta achou que nunca precisaria se submeter ao botox. Aos cinquenta insistiu em acreditar que conseguiria reconhecimento pessoal e financeiro. Nada. Todos os fatos da sua vida negavam as cartas de tarô que teimavam em dizer que ela nascera com a sorte grande. Foi de tanto esperar que já aos noventa, desiludida e queixosa de seu vindouro passado encontrou Aroldo. Um velhinho que, assim como ela, no auge dos seus oitenta e cinco, também não soubera o significado da felicidade. E assim, foram viver os dois por mais alguns anos. Claro, como de costume, infelizes para sempre....

Ps.: Mais um conto para essa pequena miscelânea. 

Nenhum comentário: