quarta-feira, 24 de abril de 2013



XXII. Peito(s) à mostra.

Que existem certas coisas que nunca vamos entender é um fato consumado e talvez até esperado. Pois bem, a história de Valquíria gira no meio dessas tantas incredulidades mundanas. Essa pequena bailarina decidiu um dia que sairia pelas ruas com o coração à mostra. Digo, literalmente. Numa bela manhã de outono, acordou e abriu delicadamente o peito com um bisturi bem afiado, cortando pele, carne e ossos. Queria fazer ver ao mundo o que tinha de mais precioso. Entre sístoles e diástoles, aquele coração expandia beleza e força, exaltando a dona que caminhava alegremente pelas ruas do centro da cidade. Engraçado como o mundo é controverso, não a notaram, passavam carros, velhos, crianças e ninguém se quer se espantou. Trataram-na como mais uma entre tantas....
Passados muitos anos desse acontecido ela ainda lamentava que ninguém tivesse atentado para o que tinha de mais bonito. Pois bem, já longe dos seus áureos anos juvenis, resolveu ao acordar que sairia com os seios à mostra, certa de que esse seria um ato tão comum e sem importância... Ah, ledo engano... Acho que vocês já podem imaginar os murmurinhos e os gritos de espanto.

PS.: Texto sobre meu espanto com espanto das pessoas. Desenho de Luiza Maciel Nogueira parte integrande da galeria presente na 75ª leva do site DiversosAfins. 


Um comentário:

Elenildo disse...

Chegar aos tantos anos , e dar um basta em tudo. Aceitar o inevitável, às vezes em um dado momento da vida o importante é ser notada, em outro, é ser desejada e por fim, ser amada. Lá na frente depois dos tantos anos, que bom seria poder voltar no tempo para ser como uma adolescente novamente … sim, eu queria começar de novo, me conhecer de novo, re-testar as minhas capacidades, reafirmar meu lugar no mundo, meu lugar na vida de todos que me amam. Forças para conseguir a auto-estima que aprendemos desde criança e nunca nos abandonou totalmente.
Desejar-se entender e ser entendida, viver e se descobrir cada dia mais, despertar o que nós mesmos não conhecemos e viver intensamente cada instante desta descoberta.