VIII .
“Para que pés se tenho asas para voar?!”.
A
mãe gritava desesperada “Hugo, não pule!!! Pelo amor do Santo Deus” . Ele lá em
cima pequenino, cabelo escorrendo liso na testa, os olhinhos mirando a
efemeridade da vida, as mãozinhas abertas em cruz inspirando a liberdade do
vento. “Mãe você devia vir aqui experimentar ser pássaro comigo”. “Hugo, você
não é passarinho, você é gente meu filho, desce logo”. “Quem te disse isso
mãezinha, pois se eu posso voar, devo mesmo ser meio pardal meio menino”.
Desesperada ela também sobe na sacada do prédio para pegá-lo às pressas. Num
átimo ele pula. Inevitável cordão umbilical que ainda a prende, ela também
pula. Pausa dos olhares atentos e aflitos lá em baixo. Gritos. Desespero. Aproximação repentina da morte. E, .... Assombro
de bombeiros e vizinhos, quando de repente mãe e filho começaram a voar felizes
pelos céus na tarde ensolarada de domingo. Silêncio incrédulo.
PS.: Imagem: Eduardo Albini. Reencontrando o equilíbrio no que é só meu, e graças a Deus.

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