sexta-feira, 21 de setembro de 2012


                                                     

IX.  Feito João de barro.


Não por acaso a sua casa mirava sorridente para os tons amarelo-alaranjados que caíam toda tarde cortando o azul. Era de propósito que naquela residência nenhuma porta existia, e que as paredes eram caiadas em tons multicolores e opacos. Amava tanto a liberdade que não conseguiu conceber que na feitura de seu teto, pudessem haver amarras que o impedissem de sentir o barulhinho bom que tinha a chuva ao cair nas telhas, ou o cheiro bom que vinha da broa de milho feita lá fora no fogão à lenha. E veio desse mesmo pensamento a decisão que também não era cabível sua morada sempre presa ao chão, aterrada, fincada e sem poder ao menos sentir a leveza que era ter o vento por debaixo dos pés. Decidido, num belo dia de muita esperança no desprendimento, pegou duas cordas bem grossas de aço, amarrou uma em cada lado do telhado, e num surto de tamanha força, suspendeu e prendeu sua casinha em duas belas e grandes árvores. O que se vê hoje é uma perfeita harmonia de um quadro bem pintado, no qual queda em meio ao verde frondoso, um ponto de luz colorida. 

Nenhum comentário: