IX. Feito João de barro.
Não
por acaso a sua casa mirava sorridente para os tons amarelo-alaranjados que
caíam toda tarde cortando o azul. Era de propósito que naquela residência
nenhuma porta existia, e que as paredes eram caiadas em tons multicolores e
opacos. Amava tanto a liberdade que não conseguiu conceber que na feitura de
seu teto, pudessem haver amarras que o impedissem de sentir o barulhinho bom que
tinha a chuva ao cair nas telhas, ou o cheiro bom que vinha da broa de milho
feita lá fora no fogão à lenha. E veio desse mesmo pensamento a decisão que
também não era cabível sua morada sempre presa ao chão, aterrada, fincada e sem
poder ao menos sentir a leveza que era ter o vento por debaixo dos pés.
Decidido, num belo dia de muita esperança no desprendimento, pegou duas cordas
bem grossas de aço, amarrou uma em cada lado do telhado, e num surto de tamanha
força, suspendeu e prendeu sua casinha em duas belas e grandes árvores. O que
se vê hoje é uma perfeita harmonia de um quadro bem pintado, no qual queda em
meio ao verde frondoso, um ponto de luz colorida.

Nenhum comentário:
Postar um comentário