sábado, 5 de maio de 2012





IV.  Sorrisos


Numa tarde ensolarada cotidiana e breve, pousou as mãos sobre as dela, e fez declarar:
_ Sara, minha pequena, não posso lhe explicar certas coisas da vida, não posso te demonstrar a cor que tem a voz de um passarinho, e nem o som que tem o amarelo dessa tarde. Tão difícil, você entende?!
_ João, sobre o que exatamente você está falando?!
_ Minha querida, olha esse sol se pondo, veja esse outono gritando vermelho nas amendoeiras, tudo tão grande, tudo tão por começar rumo ao infinito do futuro...
_ João, o que você bebeu?! Você está tão estranho hoje, nem parece a mesma pessoa...Credo!
_ Ah Sara, tão difícil essa entrega da gente mesmo, tenha um pouco mais de sensibilidade...
(Silêncio) entre os dois infantes. Olhar de indagação da moça ante a timidez rósea e trêmula do rosto dele.
_ Eu te amo Sara, só estava tentando dizer EU TE AMO!
(Suspiro de alívio dele)
_ Ufffaaa!!! Pensei que nunca ia conseguir dizer, João!
(Suspiro de alívio dela)
(Sorriso de ambos).

PS.: Continuação...  Imagem: Manuel Teixeira. 

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