terça-feira, 1 de maio de 2012




III.    A tão sonhada pedra filosofal

Dizem que é no sono que podemos transcender o nosso lado mais terreno e humano, para vagar longe em sonhos desconexos. Os que leem o destino chegam a insinuar que estariam guardados em nossa mente noturna os segredos para o futuro, e as nuances não percebidas do passado. Se assim o é, ele não poderia afirmar com precisão, fato é que ocorria consigo exatamente o contrário. Eduardo vivia seu estado de inconsciência  ao avesso, era ao acordar que começava a sonhar. Tão logo despertava uma série de borboletas voavam entorno da mãe que preparava o café, dragões sentavam-se com ele para comer os cereais. Na escola, a professora transformava-se em bruxa, e em seu dia comum carros e bicicletas podiam voar. O pátio do colégio era um gigante parque de diversões, seu quarto um reino com cavaleiros armados, a cidade um grande labirinto onde se podiam ver fontes de chocolate e lindas princesas. Quando dormia, porém, lá no mais fundo de seu sono, era apenas um Eduardo comum que fazia tarefas e levava broncas. É por isso que fazia tanta força pra se manter acordado nesse mundo mágico dos sonhos. Certo dia, porém, o acúmulo de vários dias sem dormir, fê-lo cochilar em pé em plena calçada, tornara-se um sonâmbulo. Tudo se misturou. Terra e céu se fundiram em uma única réstia de espírito. Já não se sabia sonhando, ou acordado, já não podia distinguir o real do ilusório. Passou a confundir e a duvidar que isso ou aquilo fosse realmente assim ou assado. Enfim, sem nem perceber, conseguira a matéria-prima que muitos desejavam para se tornar um artista...

Ps.: Terceiro conto dos trinta.  Inspirado em um texto enviado pela Tai há um bom tempo... "Transcendência: entrevista a Gary Koepke"

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