sábado, 21 de março de 2009


De repente não se via nada
Foi subitamente que percebeu as mãos grossas
Pesadas mãos que lhe puxavam o pescoço
Que lhe prendiam com força
Ao dorso largo
De um quase Dionísio

E foi não vendo nada que sentiu
A barba a roçar-lhe a nuca
As pernas tesas a lhe prensar
A lhe dizer
Sem palavras

Uma penunbra branca lhe resguardava a imagem
E se perguntava se seria mesmo necessária
Se já não era previsto
Se já não pudera saber
Em suas brincadeiras de criança
Se já não era tarde
Para questionar
Para duvidar
O que seu corpo tinha como opção primária

Deixou-se
E a água pura de fonte nova
Foi-lhe escorrendo no dorso
Como um animal
Como um cavalo
Ele com a sua calma convulsa
O outro com sua euforia
De iniciante

E assim um guiando o outro
Pelas inconscientes passagens
Das provações infinitas
Que ainda teriam de passar
Que foram caminhando
Do purgatório para o inferno
Da escuridão para a claridade

Mesmo porque não havia com que se preocupar
Não se via nada..
De repente não se queria ver nada...

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