
XIX. Tristeza nunca mais
O pequeno passarinho continuava a tentar voar, o peito
inflava, buscava ar num esforço contínuo para sustentar também a asa que já não
batia. Vê-lo todo dia nessa incongruência de destino, enchia-me o espírito de certo
torpor como que a dizer: “Se pássaro foi feito para voar porque aquele
pequenino fora tolhido de sua destinação?”. A sua teimosia, no entanto, encoraja-me a apoiá-lo no seu
esforço contínuo. Ficava eu ali na beira do ninho embaixo da goiabeira, na
ânsia de que ele não caísse. Vez ou outra me escondia para que ele não pensasse
que era impossível aquele feito. Sustentei-me ali toda manhã, durante muitos
meses. Até que não sei se por compaixão ou por ter abandonado de vez o meu
egoísmo decidi aos prantos que deveria descê-lo do ninho. Fazê-lo finalmente
descansar de sua luta. Veja bem, não penso que tenha desistido do meu pequeno.
Dei a ele a possibilidade de escolha e isso também era luta e era vida. Estendi
o braço para que ele subisse para minha surpresa ele não relutou, ao contrário,
ele me olhou como se finalmente alguém o entendesse. Um suspiro de alívio fê-lo
cantar livremente, como deveria mesmo cantar um passarinho. Entendi só muito
tempo depois que esse era o princípio da dignidade.
Ps.: Que não haja sofrimento.... Apesar de.
Um comentário:
Nanda,
Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas lembrando o passado, das aventuras, dos sonhos,, relatados de forma simples e verdadeira, foram muitos, dos tantos risos e momentos agradáveis que tivemos e compartilhamos... saudades!!
Saudades até dos momentos de dor, da angústia, dos finais de semana de encontros, vésperas de datas comemorativas, finais de semana, finais de ano, enfim... do companheirismo vivido... Sempre pensei que durariam mais, muito mais.... que continuassem para sempre...
Um dia nossos filhos, netos verão aquelas fotografias e perguntarão: Quem é esta pessoa? Diremos que era a sogra, a avó, a bisavó. E... isso vai doer tanto!!! Foi uma pessoa especial, foi com ela que vivemos os melhores últimos 25 anos de mossa vida!
A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquela voz , a risada gostosa, novamente... Quando nos encontrarmos e o nosso grupo estiver incompleto... entre lágrimas nos abraçaremos...
Faremos promessas de nos encontrarmos mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada ... E nos perderemos no tempo...
Por isso, fica aqui um pedido : não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de uma separação...
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