
XV. Tudo mentira
Eu e Bernardo, quando meninos, brincávamos de inventar
tristezas e adoecimentos. Mamãe chegava vez em quando para vir coisa
aprontávamos tão quietos, e se deparava comigo deitado no leito febril com
aquela cara mendigando carência atenciosa de mãe, enquanto meu irmão dava explicações
surgidas da cabeça dele mesmo. Tudo mentira. Mas eram sempre as melhores
tardes, mamãe preparava leite quente pra gente, bolo de laranja com calda de
chocolate e nos contava histórias para que eu me sentisse melhor. Sempre
desconfiei que no fundo ela soubesse de nossas artimanhas, mas esse era seu
modo de me ensinar a continuar cultivando o mundo imaginário em que vivia.
Por isso hoje, transcorrido o rio do tempo, brinco de
inventar alegrias. Quando mamãe me liga lá da montanha de minha terra perguntando
como anda os afazeres viventes, digo sem pestanejar que nunca houve momento
mais feliz em minha existência. Tudo mentira. A alma anda por demais sofrida e
cansada. Mas gosto de fantasiar sobre um amanhã com cheiro daquela antiga
cobertura de chocolate. Ainda desconfio que ela saiba de tudo, mãe sempre sabe
em qualquer tempo. Só que agora ela já não se preocupa, cumpriu sua destinação
de me fazer uma inventora de histórias, uma sobrevivente.
Ps.: Desenho do Manoel de Barros.
Um comentário:
Nanda,
Pode ter certeza que ela te amava antes de você nascer.
Sonhava com seu futuro.
Te deu mil carinhos antes de você saber o que era isso.
Fez de suas noites, dias por você.
Te viu falar, te viu andar, acompanhou e acompanha suas vitórias
durante sua caminhada pela vida.
A seu modo te dá forças e motivação pra te levantar o astral .
O único amor verdadeiro é o de mãe.
Amor para todas as circunstâncias.
Se o mundo se voltar contra você, ela estará sempre ao seu lado,
porque você é o mundo para ela.
Sempre !
Deus enviou seus anjos através das mães.
É quando a mulher perceber o sentido da vida.
Carregará em seus braços o sentido de sua vida.
Um beijo
De seu pai que lhe admira muito.
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