sexta-feira, 24 de abril de 2009


"A lei era um domínio comum a que não podíamos nos subtrair. Apertava-me em gravatas, exercitava-me em conversas banais, imaginava-me igual aos outros. Até o dia em que senti que não era possível continuar: porque seguir leis comuns se eu não era comum, porque fingir-me igual aos outros, se era totalmente diferente? Ah, não veja em mim, nas minhas roupas, senão uma alegoria: quero erguer para os outros uma imagem que não tive. Passeio-me tal como quero, ataviado e livre, mas ai de mim é dentro de uma jaula que faço. É esta a única liberdade que possuímos integral: a de sermos monstros para nós mesmos. - Não é de felicidade que se trata. Não afrontaria ninguém se fosse apenas por causa de felicidade. Mas é de verdade que se trata _ e a verdade é essencial a este mundo. Que são os fatos de que nos lembramos, senão a consciência de uma fugitiva luz pairando oculta sobre a verdade das coisas?”.

Crônica da Casa Assassinada, Lúcio Cardoso.


Que verdade abitará este mundo
Sob a égide de qual Deus?
O quanto ainda teremos de nos transvestir
Na figura de algum imortal
Para perdoar-nos a nós mesmos
Enquanto pasmados assistimos à bestialidade do mundo
Se adivinhamos a bondade de Deus
Se esperamos dele a sua mão estendida
É porque sabemos que nós mesmos
Podemos estender as mãos
E doar
No entanto, preferimos ocultar
Para que ao dormir
Sob alguma desculpada oração
Digamos : Sinto muito
Sou fraco demais.
E que verdades são essas?
Que verdades são cravadas na mentira de nós mesmos
Para sermos mais limpos
Para abrandarmos o nosso espírito?
Enquanto isso dizemos é tarde demais
E quando olhamos
A vida já passou
E pouco da nossa existência fez alguma diferença.
A menos que em um desses dias
Na mais recôntida das memórias
Se pudesse olhar no olho de algum outro
E descobrir neles
A nossa própria chama
O amor....
Nesse instante
Reconhecemos no homem
O divino de Deus

Ps.: Uma onda de questionamentos... uma vida inteira para começar...


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