quinta-feira, 30 de abril de 2009


"Decerto o problema supremo é esse, Deus e o homem, mas porque mais que faça não posso imaginar Deus afastado do amor, de qualquer amor que seja, mesmo o mais pecaminoso, porque não posso imaginar o homem sem o amor, e o homem sem Deus. [...] Sei que as vozes se erguerão contra mim - para servir a Deus é preciso renunciar ao amor humano. Neste caso prefiro não servir a Deus, porque ele me fez humana, e não posso, e nem quero espontaneamente renunciar àquilo que me constitui e umedece a minha própria essência. Que Deus é esse que exige a renuncia à nossa própria personalidade, em troca de um mirífico reino que não podemos ver nem vislumbrar através da névoa? Eu sei, a Graça, mas para pobres seres terremos e limitados como eu, como supor a renúncia e a santidade, como supor o bem e a paz, senão como uma violência criminosa ao espírito que me habita? [...] Que podem saber do amor de Deus aqueles que já não sabem expressar do amor dos homens?"

Crônica de uma casa Assassinada, Lúcio Cardoso.


Ps.: Uma história tão sombria em tempos de paz. E o amor excessivo? Também corrompe? Ele vai nos definhando por dentro.
*Imagem do Diego Rivera

Nenhum comentário: