
XIII. Conexão inesperada
Chuva
fina, corpo quente amanhecido de uma noite tempestiva, a preguiça sonolenta dos
dissabores da vida, uma réstia de cansaço. Sentou-se na beira da cama,
alongou-se um pouco. Decidiu tentar iniciar uma prece depois de muitos anos sem
uma conexão direta com o Divino. Fechou os olhos, seriam apenas alguns segundos,
disse a si mesma, bastava se concentrar. Talvez alguma resposta, talvez alguma
inspiração que a permitisse levantar menos carregada e ávida pela vida. Tentou.
Insistiu. Até rezou um pai nosso, e não sei conectou. Foi então tomar um banho,
já estava um pouco atrasada para ir ao hospital. Mas antes ligou o rádio para
ouvir as notícias da manhã. Tocava Edu, Sobre
Todas as Coisas. De onde não se
podia esperar, a iluminação. Lá estava Deus menino cantando com ela embaixo do
chuveiro.
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