I.
Cordas
da vida
Tereza, atenta, olha o precipício. Não há conflito, angústias
ou lágrimas. Enquanto segura firme a corda, escuta ecoando por entre o
desfiladeiro os pedidos de socorro. Pensa se já não é chegada a hora de também
pular. Faz uma reflexão tão curta quanto um átimo de segundo ou um piscar de
olhos. Decide que não pode se espatifar ao fim da ribanceira. Permanece ereta a
segurar o fio que a separa daquele que já caiu. É simples, não pode abandonar o
casamento, ou então, já não haverá mais cordas, sufoco, quem caia, quem grite
ou quem segure indiferente as rédeas do destino. Seriam apenas dois mortos. E
esse não é o final que uma moça pode querer. Tereza, então, ajusta-se cada vez
mais a terra, fincada como uma estaca na qual se prende a vida alheia.
Orgulhosa de ser ela o monumento do qual ele depende para não se desintegrar
definitivamente no fundo e escuro buraco das outras.
PS.: Série de mini-contos que serão publicados semanalmente e estão às voltas com um possível 'livreto'. Começando por 'Tereza' pra marcar os rumos de uma nova reconstrução interior. *Imagem: Picasso, me pareceu um encaixe perfeito.
PS.: Série de mini-contos que serão publicados semanalmente e estão às voltas com um possível 'livreto'. Começando por 'Tereza' pra marcar os rumos de uma nova reconstrução interior. *Imagem: Picasso, me pareceu um encaixe perfeito.

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