"Palavra de um artista tem que escorrer
substantivo escuro dele.
Tem que chegar enferma de suas dores,
de seus limites, de suas derrotas.
Ele terá que envesgar seu idioma
ao ponto de enxergar no olho de uma graça
os perfumes do sol".
Manoel de Barros
No limiar do encontro
Existe sempre a convulsão de um conflito
Antes da calmaria desesperada
Há sempre a revisão dos escombros
Por se pensar que a morte deve ser uma apoptose longe e nada
E os retalhos da memória se escondem
Debruçam sobre o parapeito
Observando o duro e podre
De toda pedra, de toda louça partida no limiar do encontro
Como se parte já tivesse quebrado
Como se parte já fosse fogo e lágrima
E no entanto, quanto já não há de calejado
No despertar do descoberto
No interino de mim
Evitando o confronto
Esquivando o discurso
Busco no distender dos fios
Os que servem para prender
Os pontos desgastados de mim
Inconstâncias, inoscências
Enquanto não ouso admitir que grita a Deus
Apenas a parte que já se escureceu
Espantada pelo medo
E como um animal fugidio
Me escondo
E aponto no outro a culpa
Do que não vejo dissolver por fora
E que desce pela garganta sempre cortando como veneno.
PS.: Simples gestos abrem um mundo de possibilidades...
*Love you my new friend
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