
Venha mais pra perto, chegue devagarzinho
traga seu cheiro bom de limpo de novo
emudecido desmanche em mim sua fúria, seu desassossego
Porque sei bem como deve estar amolecido e melancólico por dentro
Sugiro-lhe enfim que venha e mesmo sem remorsos
Pois não é bom guardar consigo esses rumores
Deixe estar, sem medo, repulsa, vergonha
Não é preciso essas prudências em corpo que já se pousou
Pode se sentar aqui e dizer, dizer, dizer
Amigos, são por fim, prestados a isso
Sim, porque é desse modo que sou sua
Para escutar, mais do que para dizer
É dessa forma que sou menos menina
E mais mulher, mais homem
Carrego mais bandeira
Por isso traga o seu corpo cansado e se deite comigo
Lhe farei cafuné, pregarei os botões soltos de sua blusa
Enxugarei os teus olhos e também só assim será possível
Salvar essa saudade que sinto de suas graças de seu sorriso pequeno
Seus olhos oblíquos, seu cheiro bom de amigo, de menino
Silenciosos e calmos venha entender comigo
Os acasos dessa vida os destinos desviados desses caminhos
Quero-lhe a alma, as alucinações, as vontades, os ditos e mal-ditos
Já velhos conhecidos e repetidamente entendidos
Venha apenas venha não lhe exijo nada não precisa mudar
Apenas preciso de você aqui
Você inteiro
Íntegro
Amigo
Menino
Criança
Venha e dormiremos, enfim, em dia de lua
Por uma manhã inteira sem ter de despertar
Sem muitas medidas
Apenas e simples
Sim,
simplismente.
* PS.: Porque andei ouvindo Caymmi... e meu Deus como poderia noites inteiras ouvindo...
Nenhum comentário:
Postar um comentário