Porque está doendo em mim, a morte de uma menina, se quando diante de seu sólido desespero eu dormia. O que me compraz pensar, o que me faz ter compaixão pelo olhar tênue na janela, já inerte, se quando ela sofria, eu comparava a minha justiça à divina. E porque um homem pode matar outro homem, figura de Deus em face de dezembro e de criança. E porque agora está doendo em mim o dilaceramento de uma família sem a filha.
Como descascada eu preocupava com um terreno que me fosse seguro. Essa justiça que assegura o homem de que está livre da brutalidade do inconsciente. Porque ninguém viu, na hora que o último fiapo de vida ainda esperava a continuidade de uma diversidade de expectativas. Crianças abertas e livres amam com a inocência de um passarinho. Porque ninguém precisou mirar a cena, para entender que o limite do humano ali já havia falhado.
É desse modo que não posso conceder ou compreender que as mãos que salvam, serão as mesmas que matam. Até que com naturalidade, os sentimentos de uma amiga separassem o que é justificável ou não na razão e no sentimento de um ser.
Pensar que o instante antes da morte deve parecer para Deus uma forma de perceber que as coisas da vida fazem sentido. Pensar se terá aquele corpo de 15 an0s, perdoado aquele que sem perceber havia matado o cerne de um mal coletivo.
Porque é preciso pensar que para dormirmos menos passivos foi preciso que já no chão a pequena menina ensinasse-nos a compreensão da vida, e nos concedesse a permissão da revolta.
A ela, feito um anjo peço que sobreviva em nós como um suspiro....
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