domingo, 15 de junho de 2008

"Não se nasce mulher: torna-se".



Porque andei pensando em escrever sobre a mulher. Mulher que de fato eu compreendesse como passo para um novo sentimento que queimasse em mim, ardente feito a eloqüência que se tem em um grito. Queria ter imaginado que o fato de ter nascido mulher fosse como um acontecimento atemporal e justificável, para uma luta constante de entendimento como ser pensante. Não que de fato alguma mudança seja ultrapassada ou retórica, e que seja preciso como antes, mudar o mundo. Mas é somente porque alguma coisa leva-me a pensar na mulher enquanto indivíduo constantemente tumultuado. Tantas coisas poderiam ter acontecido, no entanto. É como se ainda estivesse uma vírgula, eternas reticências separando esse sentimento de falta, que rodeia a cabeça daquelas que recordam e existem. Significativamente é um ponto a se questionar, os limites, onde estarão os nossos limites? Como se ter nascido mulher me desse uma ânsia de necessariamente comprovar acasos, que são meus, e mais que isso, que são de qualquer existência humana. No entanto essa possibilidade de refazer conceitos, talvez me permita entender que se retornasse a essa vida, voltaria mulher. Pra “carregar bandeira” como diria Adélia Prado, ou para “tornar-se” como diria Beauvoir. E o que representa a mulher neste cerne que ainda anda as tontas seguindo direção oposta... Mulheres cada vez mais iguais aos homens. Não, definitivamente o que venho trazer aqui não são essas observações, nem rótulos, nem pré-conceitos, nem formulações. O que venho mostrar aqui, é como um sentimento de uma mulher pode entender o outro e suas relações mais ternas e sutis. O que venho fazer aqui e tentar entender, as minhas alucinações de menina. E porque é que me instiga tanto cumprir esse papel, nem tão árduo como antigamente, mas que ainda assim, move-me para uma necessidade de nadar contra a corrente.
PS.: Ilustração: Juliana Moraes.

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